O filme “Naza”, de Yuval Avraham e Rachel Zur, provocou forte repercussão no Festival de Cinema de Veneza, onde recebeu quase 25 minutos de aplausos. A obra reúne depoimentos de 24 militares e agentes de inteligência de “Israel” sobre a seleção de alvos em Gaza, o uso de inteligência artificial e ataques realizados mesmo com conhecimento da presença de famílias palestinas.
A recepção, porém, levantou uma questão incômoda: por que o mundo precisou da palavra de 24 israelenses para acreditar em crimes que os palestinos documentam há anos? Jornalistas de Gaza registraram crianças sob os escombros, hospitais bombardeados, tendas incendiadas e mães despedindo-se dos filhos — muitos deles também acabaram assassinados.
Para o ativista palestino Khaled Safi, há uma perversidade nessa hierarquia de testemunhos: o palestino morre diante das câmeras para provar o crime, enquanto o israelense o relata depois e é celebrado como herói moral. Sem responsabilização efetiva, a denúncia corre o risco de transformar o sofrimento palestino em produto cultural aplaudido nos festivais.
12/09/2026











